quarta-feira, 13 de junho de 2012

o que é contemporâneo?

No firmamento que olhamos de noite, as estrelas resplandecem circundadas por uma densa treva. Uma vez que no universo há um número infinito de galáxias e de corpos luminosos, o escuro que vemos no céu é algo que, segundo cientistas, necessita de uma explicação. É precisamente da explicação que a astrofísica contemporânea dá para esse escuro que gostaria agora de lhes falar. No universo em expansão, as galáxias mais remotas se distanciam de nós a uma velocidade tão grande que sua luz não consegue nos alcançar. Aquilo que percebemos como o escuro do céu é essa luz que viaja velocíssima até nós e, no entanto, não pode nos alcançar, porque as galáxias das quais provém se distanciam a uma velocidade superior àquela da luz.


Perceber no escuro do presente essa luz que procura nos alcançar e não pode fazê-lo, isso significa ser contemporâneo. Por isso os contemporâneos são raros. E por isso, ser contemporâneo é, antes de tudo, uma questão de coragem: porque significa ser capaz não apenas de manter fixo o olhar no escuro da época, mas também de perceber nesse escuro uma luz que, dirigida pra nós, distancia-se infinitamente de nós. Ou ainda: ser pontual num compromisso ao qual se pode apenas faltar.

[Agambem]

e x p e r i ê n c i a

Visto ao vivo não era o mesmo que através de uma imagem congelada. O azul brilhante pulsava em direção aos meus olhos e aquele mar de tons monocromáticos fazia-me sentir viva. Por um instante me tornei melhor amiga do artista, era como se ele me contasse sua história, como um segredo dito entre cafés e sofás.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

mesmo com todo o mito...

É engraçado pensar nos mitos que os artistas carregam ao longo de sua jornada artística. O megalomaníaco, o romântico, o ativista, o pop-star, o mercadológico, o contra-cultura... E quando conhecemos algum artista, toda essa bagagem - criada pela mídia, pela crítica - os acompanha. E é assim que os recebemos e é assim que os aceitamos. Ponto final.

Gosto de conhecer um artista do zero. Gosto de eu conhecer o artista; de tirar minhas próprias conclusões sobre seus trabalhos. E, com o tempo, toda a história midiática se revela, claro. Mas, o que muitos não sabem, é que o que realmente importa é o que a obra de arte te transmite - não é o que o artista pensou ao fazê-la e o que ele quer passar com aquilo - mas o que você sente quando está diante dela. Naquele momento, só basta você e a obra. E o que surgirá, será devido ao repertório que você carrega, sobre os seus pensamentos, as suas críticas, a sua visão de mundo - e foda-se que a mídia afirma o contrário.

Recentemente, algo me fez pensar bastante sobre este ponto...

Damien Hist. Eu conhecia seus trabalhos, sua história de vida, o que a mídia sempre passou à seu respeito, o que os críticos escreveram... Mas uma coisa é o artista, a outra são suas obras. Recentemente tive a oportunidade de ver muitas de suas obras, na exposição Em Nome dos Artistas (comemorativa dos 60 anos da Fundação Bienal de São Paulo). E, naquele momento, tudo fez sentido; tudo fez sentido pra mim. Naquele momento, todo o mito de artista megalomaníaco se esvaiu. Ao ver suas obras ao vivo, algo mudou. Os questionamentos sobre a morte e as formas em que podem ser interpretadas; e principalmente seus trabalhos com o uso de animais - pra quem não sabe, sou vegetariana e fui ativista muitos anos -, ao meu ver, aqueles trabalhos questionam a natureza da utilização de animais em toda uma sociedade hipócrita. E quem poderá dizer que esta visão está errada?

Mãe e Filho Divididos, 1995

Estar diante de uma obra é algo único. Você pode ver fotos e ler sobre ela, mas você nunca a conhecerá verdadeiramente até vê-la pessoalmente.

Uma obra de arte é o que você vê dela e não o que os outros dizem.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

fru ir

tornar o público da arte cidadão

des
     cons
            truir

e m a n c i p a r

domingo, 30 de outubro de 2011

um perfeito olhar artístico

Imagine um olho livre das leis da perspectiva humana, um olho sem preconceitos de lógica de composição, um olho que não responde ao nome de tudo, mas que deve conhecer cada objeto encontrado na vida através de uma aventura de percepção.

[Stan Brakhage]

domingo, 11 de setembro de 2011

contra a interpretação


A interpretação é a vingança do intelecto sobre a arte. Mais do que isso. É a vingança do intelecto sobre o mundo. Interpretar é empobrecer, esvaziar o mundo. Quando reduzimos a obra de arte ao seu conteúdo e depois interpretamos isto, domamos a obra de arte. A interpretação torna a obra maleável, dócil.

[Susan Sontag]