domingo, 11 de setembro de 2011

contra a interpretação


A interpretação é a vingança do intelecto sobre a arte. Mais do que isso. É a vingança do intelecto sobre o mundo. Interpretar é empobrecer, esvaziar o mundo. Quando reduzimos a obra de arte ao seu conteúdo e depois interpretamos isto, domamos a obra de arte. A interpretação torna a obra maleável, dócil.

[Susan Sontag]

quarta-feira, 6 de julho de 2011

trattato della pittura


Como chegamos à conclusão de que a poesia é de suma compreensão dos cegos, e a pintura faz o mesmo com os surdos, daremos mais valor à pintura que a poesia, pois a pintura serve a um sentido melhor e mais nobre que a poesia. E essa nobreza provou-se ser assim três vezes maior que a dos outros três sentidos, já que a perda dos sentidos da audição, do olfato ou do tato foi preferido à perda da visão, pois quem perde a visão, perde a vista e a beleza do universo e assemelha-se à alguém que foi enterrado vivo dentro de uma sepultura na qual poderia viver e se mover. Não vês tu que o olho abraça toda a beleza do mundo...

[Leonardo Da Vinci]

quarta-feira, 1 de junho de 2011

são tantas as verdades


Um dos artistas mais contundentes de sua geração, José Leonilson revela a contemporaneidade em todas as suas obras. Cearense de nascença, mas paulistano de vivência, Leonilson abre suas vísceras através da arte e revela sua vida como um diário íntimo na exposição Sob o Peso dos Meus Amores.


Sob o Peso dos Meus Amores, 1990

Pintor, desenhista, escultor. Desde cedo, não se adaptando ao traço e tipo de linguagem que propunham enquadrá-lo, abandonou o curso de educação artística na Faculdade Armando Álvares Penteado para dar início ao que viria a ser um ingente legado artístico-contemporâneo brasileiro. Com cerca de 300 obras, Sob o Peso dos Meus Amores propõe uma reflexão da arte como meio de expressão de angústias, amores e vivências. O que pode ser sutilmente observado pela forma do tema amoroso ser por vezes associado à espiritualidade.

Com obras nitidamente íntimas, revela-se tão intensamente o infinito particular do artista que acaba por tornar-se universal, a ponto dos espectadores mergulharem e se identificarem com os temas propostos. Paralelamente, a expografia atua em conjunto, influindo uma atmosfera que faz o visitante adentrar na intimidade do artista.


Os Pensamentos do Coração, 1988

Instalação, pintura, recorte, bordado, esferográfico. O advento da arte contemporânea possibilitou a utilização de diversas formas de expressão, podendo estas serem escolhidas livremente dependendo do projeto a ser realizado. Com obras que se aproximam do surrealismo, fovismo e dadaísmo, Leonilson produz uma fusão do afetivo e artístico, movido pela necessidade de registrar sua subjetividade, onde enfoca-se o questionamento do destino do sujeito.

Tomando consciência da necessidade de constituir com as palavras uma linguagem própria, Leonilson criou uma narrativa poética por meio de versos e frases soltas que integraram toda a sua obra. Juntamente com peças catalográficas, listas, números, inventários e uma intensa utilização de bordados e vois, o artista cria uma atmosfera multíplice que faz o visitante tomar conhecimento das várias faces do amor.

Com obras concentradas no curto período dos dez últimos anos de sua vida, Leonilson levou questões e tensões pessoais para o próprio trabalho. Inspirado pelas cidades que visitou, seus amores e, a partir de 1991, na descoberta de ser portador do HIV, a exposição releva-o como maior artista expoente de sua geração.


Leo Não Consegue Mudar o Mundo, 1989

Leonilson comove seus visitantes ao expor sentimentos compartilhados por todos. A identificação pessoal é o ponto mais tocante de suas obras. Todas as pessoas possuem um pouco de Leonilson, seja pelo fato de serem colecionadoras; de desfrutar o enviar de postais dos lugares nas quais visitou; de escrever cartas artístico-poéticas; de preparar, com as próprias mãos, presentes aos amigos. Eu sou uma dessas. Coleciono cartilhas de todas as exposições de arte por mim já vistas, possuo um mural com a obra preferida dos meus artistas favoritos e, defendo a tese de que o presente mais bonito é aquele feito artesanalmente. Tenho um pouco de Leonilson.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

mais do mesmo


É com grande felicidade que começo mais um blog em minha vida. Desta vez terá paixão. A minha eterna paixão por arte me motivou a criar um blog em que este conteúdo seja analisado, refletido, criticado, ou até mesmo simplesmente maravilhado.

See ya!


A arte diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível.
[Leonardo da Vinci]